Confira a nossa mais recente editorial publicado no Expresso, um jornal líder Português.

Expresso-Portugal-Nourishing-the-Planet-food-prices-sustainable-agricultureO artigo discute projetos em Portugal e na África sub-saariana que podem ajudar a fortalecer a segurança alimentar em todo o mundo. Estas iniciativas incluem fazendas urbanas ao longo ribeiras em Lisboa e iniciativa do Governo Português para reduzir as emissões de dióxido de carbono em 40 por cento até 2020.

Cansada de ver refeições tradicionais da Zâmbia, tais como chibwaabwa (folhas de abóbora) e impwa (beringela seca), ignoradas no seu próprio país em prol de comidas Ocidentais, Sylvia Banda fundou os Serviços de Catering Profissional Sylvia em 1986 e, devido ao seu sucesso, criou um mercado para os agricultores locais e deu destaque a métodos de cozinhar tradicionais. O seu negócio é apresentado por Winrock International como um modelo para outros com a mesma vocação seguirem (ver Inovação da Semana: Winrock International e Serviços de Catering Profissional de Sylvia Limitada).

Sylvia Banda, founder of Sylva Professional Catering Services, with her husband (Photo: Business Week).

Por ironia, Sylvia não é a dona oficial do seu negócio. Os serviços de catering estão em nome do seu marido devido a políticas de empréstimo que discriminam as mulheres. Sylvia fundou a Faculdade de Treino em Catering Profissional em 2001 e Sylvia Food Solutions em 2003, por forma a responder à necessidade crescente de empregados qualificados e de cultivo local de ingredientes básicos. As suas sessões de treino ensinam os agricultores, na sua maioria mulheres, a cultivarem vegetais tradicionais. Os seus negócios de catering e de restaurante compram o  que é cultivado, assegurando que existe um mercado para os vegetais produzidos pelos novos agricultores que foram treinados. Desta maneira Sylvia consegue aumentar o seu negócio e também manter a maioria dos lucros na comunidade.

“Quando eu conheci algumas destas famílias, as suas crianças estavam em casa enquanto as aulas estavam a ser leccionadas na escola”, disse Sylvia durante o Painel de Discussão da Community Food Entreprise, mediada por Winrock International, em Washington D.C., em Janeiro. “Eles disseram-me que não tinham dinheiro para pagar a educação das crianças. Contudo, depois de se tornarem fornecedores para o meu negócio, as famílias agora conseguem pagar para mandar as crianças para a escola e até mesmo comprar  coisas para as suas casas, como mobília.”

Sylvia assegura que os agricultores que ela treina no seu programa se tornam fornecedores para o seu restaurante, bem como que eles continuam a seguir os seus requerimentos estritos de produção, que incluem práticas de higiene e preços consistentes. Isto também permite que Sylvia veja as melhorias no dia-a-dia destes agricultores que a parceria estabelecida com eles traz.

Por forma a expandir o seu modelo de negócio de maneira a dar poder aos seus empregados e aos agricultores locais, Sylvia lançou recentemente um livro de cozinha da Zâmbia, completo com uma lista de benefícios nutricionais de cada ingrediente local. Ela também usa a sua crescente notoriedade nacional em trabalhar com ONGs para aumentar o financiamento e o apoio no treino de agricultores. Sylvia planeia tornar a Sylvia Guest House num serviço completo de restaurante e hotel.

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Em algumas partes da África Subsariana, onde mais de 265 milhões de pessoas passam fome, mais de um quarto da produção de comida estraga-se antes mesmo de ser consumida devido a técnicas rudimentares de colheita e armazenamento, condições climáticas adversas, doença e pestes.

Fazendo silos metálicos para armazenamento de grãos (crédito da foto: FAO)

Por outro lado, nos Estados Unidos a comida é deitada fora aos biliões de quilos (e contribuindo para 12% do desperdício total), causando stress nas lixeiras já saturadas e contribuindo para a emissão de gases de efeito de estufa – uma das maiores fontes de metano está nas lixeiras dos EUA, constituindo 34% de todas as emissões de metano.

Para prevenir a perda de culturas após estas terem sido colhidas, na África ou em qualquer outro sítio, a Organização para a Comida e Agricultura (FAO) está a implementar projectos em educação e tecnologia. No Quénia, a FAO fez parceria com o ministério da Agricultura do Quénia para treinar os agricultores a tomarem medidas para reduzir as perdas de culturas de trigo devido a micotoxina, um resultado devastador do crescimento de fungos.

No Afeganistão, a FAO forneceu recentemente silos de metal a cerca de 18 mil habitações por forma a melhorar o armazenamento do que foi colhido. Os agricultores usam os silos para armazenar os grãos de cereais e legumes, protegendo-os do clima e das pestes. As perdas pós-colheita diminuíram de 15 a 20% para menos de 1% a 2%.

Reconhecendo a necessidade de proteger as colheitas em África do clima, doenças, pestes e qualidade de armazenamento pobre, o Concelho Ministerial Africano para a Ciência e Tecnologia está a promover uma pesquisa para analisar e estimular várias tecnologias e técnicas de prevenção de desperdício de  pós-colheitas e melhorar o processamento de comida. ECHO Farm, nos Estados Unidos, onde eu e a Danielle passámos algum tempo em Agosto, colecciona inovações de todos os tipos para ajudar os agricultores em todas as fases de cultivo, incluindo após a colheita ter sido feita. A missão da ECHO é tornar estas inovações acessíveis aos agricultores em todo o mundo e tivemos oportunidade de assistir a uma demonstração do número de técnicas de prevenção de perdas pós-colheita que são simultaneamente simples e suportáveis.

No Estados Unidos também está a haver progresso na redução de desperdícios. Este ano, São Francisco tornou-se a primeira cidade dos EUA a obrigar que todas as habitações separem o lixo reciclável e orgânico do lixo em geral. O Departamento para o Ambiente espera que esta lei resulte numa redução de 90% do lixo doméstico nas lixeiras locais.

Organizações que colectam comida como a Urban Harvest fazem a recolha em restaurantes, mercearias e cafés (que caso contrário iam deitar essa comida fora)  e entregam-na, gratuitamente, a fornecedores de comida locais para famílias com baixo rendimento e sem abrigo.

A diminuição das emissões de gases que contribuem para o efeito de estufa é um tema central nas negociações climáticas em Copenhaga deste ano, uma vez que as emissões atingiram o registo máximo o ano passado. Com lixeiras a produzir grandes quantidades de gases de efeito de estudo, e com o preços os alimentos a subirem em todo o mundo, a redução do desperdício de comida é uma necessidade irrefutável para as pessoas de todo o mundo, desde donos de restaurantes em Nova Iorque a agricultores de trigo em Nairobi, Quénia.

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Confira nosso mais recente editorial de opinião publicada nesta semana o Correio Braziliense. O artigo, em Português, discute os distúrbios alimentares em Maputo, Moçambique, e como os agricultores estão a investir na partilha de conhecimentos, a fim de levar segurança alimentar em suas próprias mãos.

Para ler mais sobre workshops agricultor que os ajudam a aprender uns com os outros, ver: Espalhar a riqueza de inovações e Inovação da Semana: Agricultores de aprendizagem dos agricultores

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Elizabeth Samhembere’s tem lutado para alimentar a sua família desde que o seu marido faleceu em 2004. Elizabeth é uma agricultora de pequena escala no Zimbabwe e é-lhe difícil conseguir água para as suas colheitas. Os seus filhos são demasiados novos para ajudar na tão árdua tarefa de irrigar os vegetais e morangos que ela planta.

Sistema de irrigação por gotejamento, no Nepal. (Crédito da foto: IDE)

“Eu conseguia uns irrisórios Z$80,000 (US$0.81) por semana através da venda de morangos pequenos e de aspecto miserável e isso não melhorava o meu sustento”, explicou Elizabeth numa entrevista para International Development Enterprises (IDE). “Eu continuava a viver da mão para a boca”.

Mas as colheitas de Elizabeth – e sustento – melhoraram significativamente em 2005 quando era recebeu um kit de irrigação gota-a-gota doado e fertilizante, através do projecto Micro Irrigation Partnerships for Vulnerable Households (MIPVH – projecto de Parcerias de Micro Irrigação para Lares Vulneráveis) da IDE, uma organização que trabalho no alívio  da pobreza e da fome na Ásia e na África pela tecnologia e acesso ao mercado por pequenos agricultores.

Irrigação gota-a-gota fornece água e fertilizante directamente às raízes das plantas através de um sistema de tubos plásticos com pequenos orifícios e outras saídas restritas. A distribuição lenta e regular destes elementos faz com que a irrigação gota-a-gota conserve até 50% mais água que os métodos tradicionais, segundo estimativas da IDE. A água e o fertilizante são também absorvidos mais facilmente pelo solo e pelas plantas, reduzindo o risco de erosão e falta de nutrientes. Uma vez que actua em função da gravidade, a irrigação gota-a-gota também poupa tempo e trabalho, que de outro modo seriam necessários para regar as colheitas, e aumenta o rendimento das colheitas.

Desde a instalação do seu kit de irrigação gota-a-gota que o sustento de Elizabeth aumentou entre Z$1 milhão (US$10) e Z$4 milhões (US$40) por semana. Tanto a quantidade como a qualidade dos seus morangos melhoraram, e ela consegui expandir a variedade das suas colheitas, produzindo agora pêras, cenouras e tomates. Devido ao treino recebido no departamento das mulheres do Zimbabwe, Elizabeth está também a gerar rendimento da venda de geleias que ela faz a partir dos morangos que produz.

A família de Elizabeth come melhor, tanto da horta como por causa do lucro que ela faz com a venda dos seus produtos. Ela já não se preocupa mais com a contracção de dívidas ou a necessidade de pedir dinheiro emprestado por forma a sustentar a sua família. “Eu sou capaz de mandar as minhas crianças para a escola com o que ganho a partir da minha horta”, diz ela.

Para saber mais sobre outras formas como as tecnologias de irrigação estão a ajudar os agricultores de pequena escala a melhorar o seu sustento e ganho, consulte Obtendo água para as culturas e Acesso à agua melhora a qualidade de vida de Mulheres e Crianças.

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Em Washington DC a semana passada durante o  House Hunger Caucus conferência , a palestrante, Cheril Morden, Diretora do Gabinete de Ligação norte- Americano International Fund for Agricultural Development (IFAD), concluiu que com os  financiamentos agrícolas globais, comunidades lutam para aliviar a fome e a pobreza, há uma “ grande recompensa centralizando esforços nas mulheres”, e também “ negligência-las acaretará um grande prejuízo.”

Um fazendeiro da favela Kibera, em Nairobi, Quénia mostra Danielle Nierenberg (à esquerda) sua fazenda vertical. (photo: Bernard Pollack)

Embora as mulheres agricultoras produzem mais da metade dos alimentos produzidos no mundo e cerca de 1,6 bilhões mulheres dependem da agricultura para sua subsistência, muitas vezes não são capazes de beneficiar de um financiamento agrícola  em geral, devido às barreiras institucionais e culturais que enfrentam, inclusive a falta de acesso à terra, a falta de acesso ao crédito, e a falta de acesso à educação. Mundialmente, as mulheres recebem apenas aproximadamente 5 por cento dos serviços de extensão agrícola e possui cerca de 2 por cento da terra no mundo inteiro.

Mas a pesquisa tem mostrado que, quando os rendimentos das mulheres são melhores, e quando elas têm um melhor acesso a recursos como educação, infra-estrutura, crédito e saúde, as mulheres tendem a investir mais na alimentação, educação e saúde de suas famílias, causando um efeito de ondulação dos benefícios que podem  se estender a toda a comunidade.

Em Kibera – na maior favela da África subsaariana  em Nairobi, no Quênia, onde em qualquer lugar de 700.000 a um milhão de pessoas vivem-  as agricultoras, com treinamento e sementes fornecidas pela ONG francesa Solidarités, estão cultivando  legumes em sacos cheios de sujeira. Mais de 1.000 mulheres estão cultivando alimentos desta forma. Durante a crise alimentar no Quénia em 2007 e 2008, quando o conflito em Nairobi impediu a chegada dos alimentos  à região, a maioria dos moradores não passaram fome porque  havia tantas dessas “fazendas verticais” .

Em Zâmbia, Veronica Sianchenga, uma  agricultora morando em  Kabuyu Village, verificou  melhorias na qualidade de vida da sua família, quando ela começou a irrigar sua fazenda com a “Mosi-o-Tunya” (bomba que Thunders), uma bomba de pressão que ela comprou da International Development Enterprises (IDE). Em muitas partes da África sub-saariana, a tarefa de coleta de água – em regiões mais secas do continente isso pode requerer até oito horas de trabalho por dia – geralmente cabe às mulheres. Explicando que seus filhos estão comendo mais saudável, com mais vegetais na suas dietas, a Sra. Sianchenga acrescenta que ela também está desfrutando de maior independência. “Agora nós não estamos contando apenas com os nossos maridos, porque agora somos capazes de fazer nossos próprios projetos e podemos ajudar os nossos maridos, nossas famílias podem ter uma aparência melhor, comer melhor, vestir melhor – até mesmo para ter uma casa”.

Em Ruanda, os Farmers of the Future Initiative (FOFI) ajudam  a capacitar  meninas  e outros alunos, integrando escolas de jardinagem e  formação agrícola nos currículos da escola primária. Mais de 60 por cento dos estudantes em  Ruanda, depois de se formarem, irão retornar para as áreas rurais  e  irão trabalhar em fazendas  para sobreviver  em vez de ir para a escola secundária ou universidade. Embora ambos os meninos e as meninas beneficiam da formação, é especialmente importante para as meninas  aprenderem essas habilidades, diz Josephine Tuyishimire, de modo que elas possam evitar a dependência dos homens para a segurança alimentar e financeira. E assim eles podem compartilhar o que aprendem.

Ao “passar esses conhecimentos para as gerações futuras”, ou as crianças que estão  muitas vezes sob seus cuidados- disse Tuyishimire, as mulheres ajudam a criar os futuros agricultores que estarão preparados a se alimentarem e da mesma forma auto-suficiente e autónomos.

Para saber mais sobre o importante papel das mulheres  para aliviar a fome mundial e a pobreza, ver: Farming on the Urban Fringe, Building a Methane Fueled Fire, Women Entrepreneurs: Adding Value, Women Farmers Are Key to Halving Global Hunger by 2015, For Many Women, Improved Access to Water is About More than Having Something to Drink, e  Reducing the Things They Carry.

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Ambiental em Portugal o site de notícias Ambiente Online recentemente apresentado o lançamento do nosso blog em Português.

Ambiente Online, Cuidando Do Planeta, Portugal

Recentemente Cuidando Do Planeta lançou o blog em Francês, Espanhol e Português, ampliando os nossos leitores global. Como resultado, fomos destaque no Jornal de Oleiros. Por favor, repassar a notícia para seus amigos falando Português!

Cuidando Do Planeta, Jornal de Oleiros, Nourishing the Planet, Portugal

Em 1999, quando comprou a sua primeira bomba manual, Robert Mwanza, um agricultor em Lusaka, Zâmbia, lutava por ter dinheiro suficiente sem ter acesso constante a água. Ao mesmo tempo que o seu país se debatia com a seca e fragilidade económica, Robert não tinha os recursos necessários para irrigar a sua horta e “não conseguia crescer o suficiente para comer, já para não referir para vender”.

As bombas de pedal são bombas de pé-powered que sentar em cima de um poço e rega de pequenas parcelas de terra. (Foto: IDE)

O acesso à água é um luxo que muitas das habitações não possuem, especialmente na África Subsariana. É comum os agricultores terem que viajar longas distâncias para colectar água de nascentes ou poços públicos, tornando impossível irrigar as plantações ou ter água suficiente para cozinhar e para banhos.

No entanto, tecnologias baratas, tais como a bomba de pé (uma bomba operada com o pé, que fica no topo de um poço e irriga pequenas porções de terra), a bomba manual (uma alternativa manual à bomba a pedal), e uma variedade de sistemas de armazenamento de água (feitos de plástico e usados como fontes  para sistemas de rega ou irrigação gota-a-gota) estão a mudar a situação. Os sistemas são desenvolvidos e mantidos por International Development Enterprises (IDE), uma organização que trabalha para melhorar o sustento dos agricultores em 13 países na Ásia e na África, através de tecnologias agrícolas melhoradas e do acesso ao mercado. (Ver também: Aproveitando ao máximo algo bom, Cuidando da erosão do solo para melhorar a Produção, Ganho e Nutrição, e Persistentemente Inovativo: Um agricultor ensina dando o exemplo.)

IDE está a tornar a irrigação mais eficiente, através da combinação de tecnologias, desenhadas para responder especificamente às necessidades dos agricultores de pequena escala, com pessoal de apoio no terreno para treinar e educar.

Após apenas dois anos de irrigação melhorada, pela bomba de pé, Robert Mwanza conseguiu plantar e crescer vegetais mais do que suficientes para alimentar a sua mulher e os seus oito filhos. Ganhou também dinheiro suficiente para comprar mais uma bomba, duplicando a área de terra que consegue regar. Recrutou o seu irmão, Andrew Mwanza, para trabalhar na segunda bomba e em três anos, com a ajuda do pessoal no terreno da IDE, Robert começou a vender os seus produtos para a Agriflora, uma companhia que exporta vegetais de alta qualidade para a Europa. Agora os dois irmãos cultivam vegetais suficientes para conseguirem ter uma bomba motorizada a petróleo de $750, reduzindo ao mesmo tempo a mão de obra necessária para aumentar a produção.

Para saber mais sobre a importância da água nas plantações e sobre mais exemplos de inovações que ajudam os agricultores a obter água, por favor consulte: Inovação da Semana: Aproveitamento de Água, Resistindo à fome e Persistentemente Inovativo: Um agricultor ensina dando o exemplo.

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A maioria dos agricultores na África Subsariana – em algumas áreas até 80% – são mulheres. A mulher agricultora típica na região é responsável não só pelo crescimento dos alimentos mas também por colectar água e madeira – o que perfaz um dia de trabalho de 16 horas.

Foto: Bernard Pollack

A desflorestação e a seca geradas pelas alterações climáticas vieram aumentar o tempo que as mulheres passam a realizar estas actividades, tais como colectar madeira e água para banhos, cozinhar e limpeza. Muitas das mulheres em África não têm acesso a recursos e tecnologias que possam tornar estas tarefas mais fáceis, como enxadas, semeadoras e moinhos para moagem, sistemas de recolha da água da chuva e utensílios de transporte leves.

No Quénia, a organização Practical Action introduziu uma panela que não necessita de fogo para reduzir a dependência das habitações do carvão de madeira e outras formas de combustível. Estas panelas são fáceis de fazer à mão em casa e usam insulação para manter o calor dos fogões tradicionais, que pode depois ser usado para cozinhar alimentos por um longo período de tempo. As refeições que são colocadas em panelas que não necessitam de fogo pela manhã são cozinhadas com o calor armazenado e estão prontas a consumir ao fim do dia, reduzindo a necessidade de alimentar constantemente os fogões tradicionais.

Entretanto, as unidades de biogás, que são alimentadas por excrementos de gado, podem poupar, em média, 10 horas de trabalho por semana que, caso contrário, seriam passadas a colectar madeira e outros combustíveis. O Governo do Ruanda  reconhece o valor desta redução de tempo e espera, em 2012, ter 150 mil habitações a usar o biogás em todo o país, e subsidiar os custos de instalação. (Ver também “Construindo Fogo alimentado a Metano” e “Tem Biogás?”).

A bomba de pressão “Mosi-o-Tunya” (Bomba que Troveja), produzida por International Development Enterprises (IDE), é uma bomba leve que fica no topo de um poço e é operada com o pé. O facto de ser leve faz com que seja fácil de operar e de transportar, a pé ou de bicicleta. Verónica Sianchenga, uma agricultora que vive na aldeia de Kabuyu, Zâmbia, explica como esta bomba, para além de melhorar a dieta e o rendimento da sua família, também lhe deu mais independência: “agora nós já não dependemos somente nos nossos maridos, porque somos capazes de fazer os nossos próprios projectos e auxiliar os nossos maridos, para fazer com que as nossas famílias se pareçam melhores, se alimentem melhor e se vistam melhor – até mesmo ter uma casa.” (Ver também “O acesso à água melhora a qualidade de vida das mulheres e crianças.”)

Na Etiópia, os Catholic Relief Services (CRS) ajudam as mulheres que vivem nas áreas rurais perto de Ajo a melhorar o seu rendimento e sustento, criando um grupo de venda de leite no mercado. Antes de o projecto fundado pela USAID ter sido implementado, as mulheres carregavam 1-2 litros de leite por sete ou oito horas para o vender no mercado, em Dire Dawa. O leite seria vendido por apenas 20 cêntimos por litro e, após passar uma noite na cidade, as mulheres regressavam a casa para repetir a mesma viagem dias mais tarde, forçando-as a negligenciar as suas casas e hortas. Agora, as mulheres revezam-se na venda do leite de cada uma no mercado, fazendo a longa viagem apenas a cada 10 dias e mantendo todo o lucro do dia e investindo algum do dinheiro em poupanças e usando o resto para pagar a alimentação, escola e necessidade da habitação.

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